Friday, March 31, 2006

FRAGMENTOS DA CRITICA SOBRE LIVROS MEUS (1)


Sobre Natureza morta iluminada:

Imaginação, habilidade expositiva, caracterização rápida de ambientes e personagens ? eis as suas virtudes mais salientes. ?
Luiz Pacheco (Textos de Guerrilha 2, 1981).
Uma espécie de novela, entre o fantástico e o possível, em que a linguagem tem a função principal, construída que é com inteligência, aguda percepção de funcionamento da frase, da palavra, que ora se desdobra em clareza, ora se subtrai ao nosso domínio pelas tonalidades densas, esmaecidas ou demasiado fortes para os nossos olhos. JVM se revela um escritor já seguro de sua forma de expressão.
Laís Corrêa de Araújo (Suplemento Literário de Minas Gerais ? Brasil).
Esplêndida manifestação de juventude e talento é esta curta narrativa de JVM, que põe em causa a personagem literária e sobretudo, através dela, a própria personalidade humana, os seus contornos ilusoriamente nítidos, no tempo e no espaço, a sua fabricada coesão, ou coerência. Novela agressiva e, ao mesmo tempo, subtil, NMI pesquisa, na marinha da existência, a trama da verdade e da ilusão, que a todo o instante se interpõe e se co confundem.
Urbano Tavares Rodrigues (Jornal do Comércio ? Lisboa).
Um dos aspectos de validade e interesse desta natureza morta está, pois, em plasticizar, no movimento de escassas figuras, a vida exterior com a vida interior de cada uma delas, numa sequência de quadros a que não falta inquietante humanidade.
Guedes de Amorim (O Século Ilustrado).
Sobre No País das Lágrimas:
Um narrador irónico, cru, estuante de fantasia, notável pela economia de processos e capaz de atingir, por vezes, os pontos fulcrais da vida e da sociedade portuguesa.
Urbano Tavares Rodrigues (República, Lisboa)
Constitui uma das maiores surpresas do ano literário português e passa desde já a ser um dos nossos raros bons exemplos de incursão ao absurdo, valendo-se da prodigiosa capacidade de efabulação.
Fernando Assis Pacheco (República).
Constitui uma das grandes revelações literárias dos últimos anos, pela frescura e vigor da imaginação, pela celeridade da acção, pela luminosidade e pelos cortes abruptos da escrita, levanta problemas apaixonantes.
Urbano Tavares Rodrigues (O Século).
Uma visão da condição humana notavelmente lúcida e uma impiedosa maneira de se debruçar sobre as coisas e as gentes, o autor consegue, por vezes, aterrorizar pela verdade e pelo tom irónico com que expõe factos e prevê ou denuncia situações.
Liberto Cruz (Colóquio).
Narrações breves em que o realismo e a fantasia se entrelaçam num tom ironicamente agressivo.
Félix Cucurull (Enciclopedia Espasa-Calpe).
Uma experiência de voluntária descoberta de novas formas de expressão literária.
Álvaro Salema (A Capital).
Contos nada concessivos, duros na sua delicadeza e feros no seu mais que expressar, desenhar e sugerir, bem escritos e coerentes com a trajectória anterior do escritor.
Maria Victoria Reyzabal (Reseña, Madrid).
Imaginação exuberante, intuição viva de situações que num ou noutro caso adquirem um profundo simbolismo e atingem o nível do mito. JVM, mais uma vez, revela positivas possibilidades para um género ainda pouco abordado entre nós e que é o mais adequado e eficaz para pôr em destaque e em processo um certo número de problemas que o realismo nem sempre consegue dar com a violência requerida. Tais são a ineficiência dos mitos clássicos da nossa época de profundas transformações e criadora de mitos novos, as relações entre o passado e o futuro, o drama da identidade e da comunhão, as metamorfoses revistas, como em Kafka, com povos que se convertem em murganhos, a abstractização do homem, que JVM nos dá sempre tão bem com os seus personagens obsessivamente metidos numa função absurda de que se não libertam, o sangrento resultado da defesa dos bens materiais em contraste com a inocência e humanidade as arte, a alienação do homem no poder ou a identificação do rebelde com o tirano, etc.
Nuno Teixeira Neves (Jornal de Notícias).
Sobre Histórias do Tempo da Outra Senhora:

Histórias (histórias?) terríveis, em que a própria prosa é clandestina luta. Ler este livro é uma experiência invulgar, porque o dramático não é artificialmente criado e entregue ao nível do significado, mas está desde logo no significante eruptivo e invasor.
Pedro Tamen (Expresso).
Criação artística e obra revolucionária, no sentido político e no sentido de invenção formal, de pesquisa onírica e poética, de recuperação do facto metamorfoseado pelo tempo-ilusão. Livro de combate, livro de experimentação da palavra (pesquisa ora paralela ora fundida numa linguagem solta, brusca, carregada de elementos macabros e satíricos.
Urbano Tavares Rodrigues (in Ensaios de Após Abril, 1977).
Este narrador poeta (que o é no Dom invulgar da síntese e na própria estrutura poemática das unidades narrativas) fornece-nos, precisamente no entrosamento do real comezinho e do real fantástico, um modelo de escrita materialista. Facto curioso, ao mesmo tempo que tenta fazer surgir o novo da oposição, do entrechoque de elementos verbais-culturais díspares e, necessariamente, de certas similitudes realacionais ? porque sempre na escrita há resíduos de leitura que se dilatam -, JVM quer intensamente comunicar e significar, recusa a literatura como só literatura, ou seja como realidade essencial. Assim evita muitos dos clichés da modernidade só de hoje e a História ? a luta de classes ? está bem presente em todos estes textos, que fogem à norma de um contexto literário já especializado.
Urbano Tavares Rodrigues (in Realismo, Arte de Vanguarda e Nova Cultura, 1978, 2? ed.).
Um jogo de erros, de incongruências que começam a engendrar os ritos pelos quais se serve uma mitologia de terror, quase uma mística de terror. E é este um eixo da literatura de resistência de JVM:0 fixar em texto o real processo de discurso fechado indo até ao requinte de uma linguagem ela própria esfacelada pelos seus lexemas cortados a meio ou pelas suas sintaxes estranguladas. Escrever assim é delegar num texto a explosão de uma denúncia.
Maria da Glória Padrão (prefácio à 2? edição).
Sobre Cabeça de Porco:

Numa escrita extremamente ágil e cheia de novidades surpreendentes para o leitor, mas sempre eficientes do ponto de vista de expressão, JVM transpõe o real para um quase surreal de amargura e grosseria, para uma nova pauta onde a realidade resulta extremada mas não caricaturada, e muito menos negada. Nisso, mas não só nisso, aqui tem o leitor verdadeira prosa e verdadeira prosa portuguesa.
Pedro Tamen (Expresso)..
JVM tem vindo a afirmar-se um dos mais imaginativos e lúcidos contistas portugueses que nos últimos anos se distinguiram. Ironia, efabulação, uma larga e mordente fantasia, a sondagem dos espaços reservados do eu psíquico e social, a viagem, sempre saborosa, pelo super-real, o apego ao concreto multi-significante, o recurso a processos de estilo que tornam a sua escrita ágil e envolvente ? eis algumas das ferramentas das suas histórias. JVM coloca as situações escolhidas ante o confronto com o absurdo e vaza-as pela sátira e pelo ridículo, pela ironia (estuante de bom gosto) e pela lógica implacável duma visão transformadora do homem e da vida. Eis um dos mais vivazes temperamentos novelescos da nossa mais recente literatura.
José Manuel Mendes (Seara Nova).
Sobre Romanceiro da Terra Morta:
Basta ler este livro de JVM ? e com que prazer o fizemos, e com que segurança o recomendamos ? para que o leitor se dê conta que está na presença de um genuíno novelista, de um grande escritor, daqueles que, no momento actual, honram a pátria das nossas letras.
Miguel Serrano (O Diário, Lisboa).
O regresso de um grande contista português. Excelente motivo para pensarmos que nem só de vazio se faz literatura.
Francisco José Viegas (Semanário, Lisboa).

0 Comments:

Post a Comment

<< Home